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Brasil não será intimidado, diz Messias, após sanções dos EUA contra ministros do STF

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Brasil não será intimidado, diz Messias, após sanções dos EUA contra ministros do STF

Advogado-geral da União expressou solidariedade em relação aos ministros do STF e ao procurador-geral da República

247 – O Brasil reagiu oficialmente às sanções impostas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras. Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (18), o advogado-geral da União, Jorge Messias, repudiou com veemência a decisão do governo liderado pelo presidente Donald Trump, cujo secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou a revogação dos vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), seus familiares e aliados. 


Na manifestação pública, Messias expressou “apoio e solidariedade aos ministros do Supremo Tribunal Federal e ao Procurador-Geral da República”, classificando a decisão norte-americana como um ato arbitrário que visa intimidar as instituições brasileiras em virtude de suas funções constitucionais. “Não se pode coadunar com a deturpação que pretende imputar a tais autoridades brasileiras a prática de atos de violação de direitos fundamentais tampouco censura à liberdade de expressão”, afirmou.

Defesa da democracia brasileira

A nota assinada pelo advogado-geral da União destacou a independência do Judiciário brasileiro e criticou o que classificou como assédio político. “O exercício da jurisdição, no contexto de um sistema de Justiça estável e alinhado com as garantias da cidadania, não pode sofrer, em hipótese alguma, assédio de índole política, muito menos mediante o concurso de Estado estrangeiro”, declarou Messias.

Ele ainda enfatizou a resiliência das instituições brasileiras diante das recentes ameaças externas. “Asseguro que nenhum expediente inidôneo ou ato conspiratório sórdido haverá de intimidar o Poder Judiciário de nosso país em seu agir independente e digno”, concluiu.

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Jorge Messias (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Retaliação após operação contra Bolsonaro

O anúncio do governo Trump ocorreu horas depois de o ex-presidente Jair Bolsonaro ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal, que resultou em buscas e apreensões, além da imposição de medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento noturno, das 19h às 6h.

O secretário de Estado, Marco Rubio, justificou a decisão com ataques diretos ao ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de perseguição política. “A política de caça às bruxas de Alexandre de Moraes contra Jair Bolsonaro criou um complexo de perseguição e censura que viola os direitos dos brasileiros e também atinge os americanos. Ordenei a revogação dos vistos de Moraes, seus aliados na corte, e seus familiares, de forma imediata”, escreveu Rubio em comunicado oficial.

Envolvimento de Eduardo Bolsonaro e pressões internacionais

A ofensiva diplomática ocorre no momento em que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, é investigado no Brasil pela articulação de pressões externas contra o STF e o governo brasileiro, especialmente junto ao governo Trump. Eduardo Bolsonaro é acusado de promover retaliações internacionais como forma de obstruir investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.

Eduardo encontra-se nos Estados Unidos desde março, após solicitar licença do mandato alegando perseguição política. Sua licença parlamentar termina no domingo (20).


O Supremo Tribunal Federal ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão do governo norte-americano de cancelar os vistos de seus ministros.

O episódio eleva a tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos em um contexto já sensível, em que investigações da Polícia Federal aprofundam a responsabilização de atores ligados ao golpismo no país. O gesto de solidariedade da Advocacia-Geral da União evidencia a defesa do Estado Democrático de Direito frente a pressões externas de natureza política e ideológica.

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Ango Silva, nascido no brasil em 1978, é um jornalista com uma carreira consolidada, marcada pela profundidade na cobertura de temas políticos e econômicos. Sua trajetória profissional teve início em 1999 na Rádio JB FM, onde atuou até 2010. Ao longo de sua carreira, Ango Silva destacou-se como correspondente internacional, cobrindo eventos de grande relevância,Sua dedicação e excelência foram reconhecidas com o Prêmio Maboque de Jornalismo, concedido duas vezes, e uma menção honrosa no Prêmio Kianda, na categoria de jornalismo econômico. Com uma formação que inclui um curso intensivo de jornalismo na Solidarity School of the Union of German Journalists em Berlim (1994), um estágio profissional na Deutch Welle em Colônia (1990) e cursos de técnicas jornalísticas com o BBC Training Center em Londres,

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