Mêntore Bank contrata UBS BB para IPO de até US$ 2 bi na Nasdaq

Banco digital do ex-vendedor de coco Vanderson Aquino considera vender até 30% para investidor
O Mêntore Bank contratou o UBS BB para estruturar seu plano de expansão e preparar uma abertura de capital estimada em US$ 2 bilhões na Nasdaq até o fim de 2028. O mandato, segundo o fundador e CEO Vanderson Aquino, inclui o desenho estratégico do banco para os próximos três anos.
“É o mais provável, com o forte apetite do mercado americano por fintechs, vendo o Brasil como um país ainda muito concentrado em grandes bancos”, diz Aquino. Atualmente, 82% do Mêntore pertence a Aquino e os 18% restantes pertencem a Omar Macêdo, da família da indústria de alimentos J. Macêdo.
O contrato inclui a avaliação e definição dos mercados de atuação, o fortalecimento no Brasil e a eventual expansão internacional, com base na experiência do banco de investimento suíço-brasileiro com os digitais Nubank, que abriu capital na Nyse no fim de 2021, e o C6, com a entrada do J.P. Morgan como sócio em 2021 e o aumento da participação para 46% no começo deste ano.
O fundador considera ainda vender uma fatia preferencialmente minoritária, de até 30%, a um grande banco ou investidor internacional. “A China tem mostrado apetite crescente por operações no Brasil, sempre como minoritária. É um mercado com grande aderência ao nosso modelo”, exemplificou.
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O banco tem ampliado o market share com foco no público que recebe de um a três salários mínimos – cujos ordenados chegam a durar menor de três horas na conta –, oferecendo microcrédito emergencial com tíquete médio de R$ 250 e pagamento no mês seguinte. A inadimplência é de apenas 0,8%, sobre uma carteira de R$ 600 milhões com giro mensal.
Para o banqueiro de 41 anos que começou vendendo coco nos semáforos de Fortaleza aos 13, após o pai abandonar a família, o microcrédito oferecido pelo Mêntore não concorre com o consignado privado porque atende a necessidades distintas, além de ser oferecido apenas as empresas que utilizam o banco para folha de pagamento.
“O consignado hoje é fator de redução do poder de compra do trabalhador. Ele pega R$ 3 mil, paga R$ 300 de parcela e, no mês seguinte, tem ainda menos dinheiro para viver. Esse cliente acaba recorrendo a nós”, afirmou.
Aquino vê o negócio como uma missão pessoal. “Quem não consegue crédito formal acaba recorrendo a agiotas ou facções criminosas. A gente ajuda essas pessoas a não cair nesse tipo de relação”, conta. “Minha mãe, que me teve com 14 anos, pegava esse tipo de empréstimo quando eu era criança. Montei o Mêntore com base nessa experiência.”
Com valuation atual de cerca de R$ 3 bilhões – considerando um múltiplo de 10 vezes o lucro –, o Mêntore deve encerrar 2025 com lucro líquido de R$ 300 milhões, ante R$ 120 milhões no ano passado.
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