Fundo de investimentos de Nova York é abordado para comprar a CNN em venda da Warner, diz jornal
A CNN pode estar no centro de uma das maiores reviravoltas do mercado de mídia dos últimos anos. Segundo o Financial Times, o fundo de investimentos Standard General, de Nova York, foi abordado para comprar ou investir nos canais de TV a cabo da Warner Bros. Discovery (WBD), pacote que inclui a CNN e outros canais como Discovery e Food Network. Financial Times+2Reuters+2

A informação apareceu em meio a um período de movimentação intensa em torno da WBD, com relatos de ofertas e disputas pelo futuro do grupo. A Reuters também repercutiu o assunto, citando o Financial Times e afirmando que as conversas teriam sido iniciadas por pelo menos um acionista relevante da WBD, sem identificação pública. Reuters+1
Este texto é uma reportagem explicativa, com linguagem simples, para você entender:
- o que foi divulgado até agora,
- quem é o Standard General e por que ele aparece nesse tipo de negociação,
- por que os canais a cabo viraram “peça-chave” na venda,
- quais cenários estão na mesa para a CNN e os demais canais,
- e o que pode acontecer a seguir.
O que diz o Financial Times (e o que a Reuters confirmou)
De acordo com o Financial Times, Soo Kim, fundador e líder do Standard General, estaria em conversas sobre a possibilidade de comprar ou investir em todos os canais a cabo da WBD ou em parte desse pacote. O FT afirma que a abordagem teria vindo de pelo menos um grande acionista da WBD, mas esse acionista não teria sido identificado. Financial Times
A Reuters publicou notícia no mesmo sentido: Standard General em conversas para investir ou comprar as redes de TV da WBD, incluindo a CNN, também com base no que foi relatado pelo FT. A Reuters observou que não confirmou de forma independente o conteúdo do FT e que WBD e Standard General não comentaram publicamente. Reuters
Em outras palavras:
- não há anúncio oficial de venda nesse momento,
- existe um relato de negociação em curso, vindo de fontes do mercado,
- e o foco é o “lado a cabo” do negócio (TV tradicional), onde está a CNN.
Por que a palavra “abordado” importa
Quando um jornal diz que um investidor foi “abordado”, isso não significa que a venda já está fechada.
No mundo corporativo, “abordado” costuma significar algo como:
- alguém com poder dentro da empresa (acionista relevante, conselheiro, banco assessor) sondou o investidor,
- para testar interesse,
- e avaliar preço, condições e viabilidade.
É o começo (ou uma etapa intermediária) de uma negociação. Pode dar em acordo. Pode não dar em nada.
Quem é o Standard General e quem é Soo Kim
O Standard General é um fundo com histórico de comprar e reestruturar empresas, muitas vezes em momentos difíceis. O próprio Financial Times descreve Soo Kim como alguém acostumado a investir em ativos “problemáticos” e buscar viradas. Financial Times
O ponto que mais chama atenção é que o Standard General não é novato em mídia:
- O fundo tentou comprar a Tegna, um grande grupo de TV local nos EUA.
- Essa operação não seguiu adiante, após obstáculos e prazos relacionados a financiamento e regulação. Reuters+2Axios+2
A Reuters registrou que a Tegna encerrou o acordo com o Standard General em 2023 após “hurdles” regulatórios. E a Axios também noticiou o colapso do negócio, após um longo processo. Reuters+1
Outro detalhe citado no noticiário: o Standard General já recebeu apoio/financiamento relacionado ao grupo de private equity Apollo em operações do setor. A Reuters menciona isso ao contextualizar o histórico do fundo. Reuters
Então, quando esse fundo aparece como possível comprador de redes como CNN, Discovery ou Food Network, o mercado não vê como uma ideia “impossível”. Vê como um movimento coerente com o perfil do investidor: comprar um ativo pressionado e tentar reorganizar.
Por que os canais a cabo viraram o “nó” da venda
A TV a cabo vive um problema que dá para entender com um exemplo simples.
Imagine uma padaria que dependia de dois caixas fortes:
- vender pão na loja todos os dias,
- entregar pão para empresas fixas.
Se as empresas fixas começam a cancelar contratos, o caixa cai. A padaria ainda existe, mas precisa mudar o jeito de ganhar dinheiro.
A TV a cabo passa por algo parecido: há anos, o setor sofre com a perda de assinantes, já que muita gente migrou para streaming. Esse movimento costuma reduzir:
- dinheiro de assinatura (taxas pagas por operadoras),
- e dinheiro de publicidade em canais tradicionais.
É por isso que os ativos de TV a cabo, mesmo com marcas fortes, ficaram mais difíceis de avaliar e vender.
O Financial Times descreve justamente essa pressão sobre os canais a cabo e afirma que um investimento poderia “dar fôlego” e melhorar as perspectivas desse conjunto de ativos. Financial Times
O que está no pacote de TV a cabo da WBD
O pacote citado no noticiário inclui, além da CNN, canais como Discovery e Food Network. A PBS, ao explicar o contexto dos lances e do impasse em torno da WBD, lista canais da empresa e menciona que eles entram no debate sobre compra e reorganização do grupo. PBS
Esses canais têm públicos muito diferentes:

- CNN: notícias 24 horas e cobertura política,
- Discovery: documentários e factual entertainment,
- Food Network: culinária e lifestyle,
- e outros que compõem o “portfólio linear” (TV tradicional).
O valor desse pacote, porém, não depende só de audiência. Depende do quanto ele consegue manter receita em um mundo em que o streaming cresceu muito.
Netflix e Paramount: por que essas ofertas mudam o destino da CNN
Uma das partes mais importantes da história é entender o que acontece com a CNN dependendo de qual proposta avança.
1) Se a lógica for “Netflix compra estúdio/streaming, e os canais a cabo ficam fora”
O Deadline publicou uma análise sobre o que a Netflix estaria comprando e o que ficaria de fora, indicando que os canais lineares/cabo (como CNN e outros do portfólio) entram justamente na categoria que poderia não ir para a Netflix e ficaria para uma estrutura separada. Deadline
Ou seja: num cenário em que a Netflix se concentra em estúdio, streaming e marcas premium, os canais a cabo podem virar “um segundo negócio”, vendido ou reorganizado em paralelo.
2) Se a lógica for “Paramount quer tudo”
A PBS explica que a proposta rival envolveria todas as propriedades e que a Paramount teria interesse em comprar o conjunto completo, incluindo CNN e os demais canais. PBS
Essa diferença é central. Porque ela define se a CNN:
- entra num pacote único (junto com streaming e estúdios),
- ou vira um ativo a ser separado e negociado com outros compradores.
Onde entra o Standard General nessa história
Se a proposta da Netflix realmente não incluir os canais a cabo, alguém precisa:
- comprar,
- investir,
- ou ao menos financiar uma reorganização.
É aí que o Standard General pode aparecer como candidato, segundo o Financial Times e a Reuters.
O FT afirma que a ideia seria adquirir todos ou parte dos canais a cabo e que isso poderia trazer capital para a operação. Financial Times
A Reuters reforça que as conversas relatadas são para investir ou adquirir esses ativos. Reuters
E por que um fundo faria isso?
Porque fundos desse tipo podem enxergar valor onde o mercado está pessimista. Por exemplo:
- cortar custos,
- negociar contratos,
- vender ativos menores,
- focar nos canais mais rentáveis,
- ou combinar o negócio com outras empresas de mídia.
O fundo já tentou algo parecido ao buscar a Tegna, e isso mostra apetite por TV, mesmo com dificuldades regulatórias. Reuters+1
Os principais obstáculos: dinheiro, regulação e política
Negócios grandes em mídia quase sempre enfrentam três tipos de barreiras.
1) Barreira financeira: “quem paga e como paga?”
Canais a cabo podem vir junto com:
- dívidas,
- custos fixos altos,
- contratos de distribuição,
- e riscos de queda de receita.
Por isso, o modelo de compra pode variar:
- compra total,
- compra com investidores parceiros,
- investimento minoritário (injeção de capital),
- ou aquisição por partes.
O FT descreve a possibilidade de comprar tudo ou parte, e fala em “injeção de dinheiro” como algo que poderia melhorar as perspectivas do pacote. Financial Times
2) Barreira regulatória: “o governo deixa?”
No caso Tegna, houve obstáculos e o negócio acabou encerrado. A Reuters atribuiu o fim do acordo a entraves regulatórios. Reuters
Isso não significa que “vai dar errado de novo”. Mas lembra que, em mídia, reguladores podem questionar:
- concentração de mercado,
- regras de radiodifusão local,
- e impactos em concorrência.
3) Barreira política: “o clima do país pesa”
Canais de notícia, especialmente a CNN, têm peso político. Em certas fases, a compra de uma rede de notícias pode virar debate público. Isso pode aumentar pressão e escrutínio, mesmo que o comprador seja “apenas” um investidor.
Por que a CNN é sempre o centro do debate

Mesmo que o pacote inclua vários canais, a CNN costuma dominar o noticiário por três motivos:
- É uma marca global, reconhecida fora dos EUA.
- Notícias mexem com política, e política mexe com negócios.
- A CNN tem impacto reputacional: quem compra, assume também o “barulho”.
Em outras palavras: comprar Food Network é um tipo de conversa. Comprar CNN é outra.
O que pode mudar para o público (e para os funcionários)
Essa é a parte que muita gente quer saber: “e eu, que assisto, o que muda?”
Não existe resposta única, porque depende do modelo final. Mas dá para mapear caminhos prováveis.
Cenário A: Standard General compra e tenta “virar o jogo”
Se o fundo comprar, pode tentar:
- reduzir custos,
- reorganizar redações e operações,
- investir em formatos digitais,
- buscar parcerias de conteúdo,
- e renegociar acordos com operadoras.
Isso pode resultar em mudanças internas e em ajustes de programação. Mas qualquer impacto real só aparece depois de meses.
Cenário B: Standard General investe, mas não compra tudo
O fundo poderia entrar como investidor, colocando dinheiro e recebendo participação, sem assumir 100% do comando. Isso pode ser visto como “capital de fôlego” para atravessar uma fase difícil.
O FT menciona que uma injeção de dinheiro poderia melhorar perspectivas do pacote de canais. Financial Times
Cenário C: outro comprador leva, e o Standard General fica fora
O fato de um investidor ser abordado não impede outros interessados. O próprio FT menciona que a WBD teria recebido interesse de múltiplos compradores para ativos de cabo (sem nomear). Financial Times
Nesse caso, a CNN pode ir para um grupo de mídia tradicional, para uma empresa de telecom, ou para um consórcio.
Cenário D: reorganização interna (spin-off) antes de vender
Algumas empresas preferem separar ativos em uma nova companhia, com estrutura própria, e só depois vender. Reportagens como a do TheWrap discutem o tema de spin-off e reorganização do portfólio de redes. TheWrap
Por que um fundo gostaria de comprar “TV a cabo” em 2025?
Parece contraintuitivo. Afinal, todo mundo fala em streaming.
Mas existem razões pragmáticas:
- Ainda há caixa vindo de contratos de distribuição,
- muitos canais têm bibliotecas, marcas e públicos fiéis,
- e, quando um ativo está “barato”, investidores apostam em reorganização.
É como comprar um prédio antigo bem localizado:
- dá trabalho,
- exige reforma,
- mas pode render se você fizer a conta certa.
O risco, claro, é a reforma sair cara demais e a receita cair mais rápido do que o esperado.
O que o mercado observa para saber se a negociação anda
Se você quer acompanhar esse assunto com atenção, aqui estão sinais típicos de avanço:
- Comentário oficial: empresa ou fundo confirmando “avaliamos alternativas estratégicas”.
- Banco assessor: notícia de contratação de bancos para vender o ativo.
- Estrutura da transação: sai do “interesse” e vira “modelo de compra”.
- Prazo e exclusividade: quando um comprador ganha exclusividade por algumas semanas, é sinal de negociação séria.
- Reação do mercado: ações sobem/descem conforme confiança no negócio.
Até aqui, pelo que foi publicado, estamos no nível de conversas e relatos de bastidores.
Como fica a Warner Bros. Discovery nessa história

A WBD vive um momento descrito na imprensa como “estratégico”, com disputas e movimentos ao redor do seu futuro.
- Reuters e FT citam esse contexto de alta atividade e de possíveis ofertas. Reuters+1
- A PBS descreve o ambiente de lances e incerteza em torno da empresa e seus canais. PBS
- O Deadline detalha a lógica de separar o que vai para a Netflix e o que fica fora, apontando o papel dos canais a cabo no desenho final. Deadline
O ponto principal é: quando uma empresa tem muitos ativos diferentes (estúdio, streaming, canais a cabo), muitas vezes o mercado tenta “destravar valor” separando partes. E a CNN, por estar na TV a cabo, entra exatamente nesse quebra-cabeça.
Perguntas e respostas rápidas (FAQ SEO)
É certo que a CNN vai ser vendida?
Não. O que há é informação de que o Standard General foi abordado e há conversas, segundo FT e Reuters. Financial Times+1
Quem é Soo Kim?
Ele é o fundador e líder do Standard General, fundo de Nova York, com histórico de investimentos e tentativas de aquisições no setor de mídia, como o caso Tegna. Reuters+1
O que a Netflix tem a ver com isso?
Porque há relatos de proposta envolvendo a WBD em que os canais a cabo podem ficar fora do pacote principal, o que exigiria outra solução para CNN e companhia. Deadline+1
E a Paramount?
Porque, segundo a PBS, a proposta rival seria por todo o conjunto, incluindo os canais a cabo, o que mudaria o destino da CNN. PBS
Se um fundo comprar, muda a programação?
Pode mudar, mas depende do plano. Normalmente, mudanças relevantes levam tempo e passam por reorganização interna.
Conclusão
A possibilidade de o Standard General entrar na compra ou no investimento dos canais a cabo da Warner Bros. Discovery, incluindo a CNN, mostra como a indústria de mídia está passando por uma fase de “quebra e reorganização”. Financial Times+2Reuters+2
De um lado, o mercado procura caminhos para fortalecer ativos pressionados pela migração do público. Do outro, grandes empresas tentam desenhar pacotes de venda que façam sentido para compradores diferentes.
Por enquanto, o que existe é negociação reportada, não acordo fechado. Mas só o fato de a CNN aparecer nesse tipo de conversa já é sinal de que os próximos meses podem trazer mudanças importantes no mapa da mídia global.
Resumo em tópicos
- Standard General, fundo de Nova York, foi abordado para comprar ou investir nos canais a cabo da WBD, incluindo a CNN, segundo o Financial Times. Financial Times
- Reuters repercutiu a informação e disse que WBD e Standard General não comentaram publicamente. Reuters
- O fundo tem histórico em mídia e tentou comprar a Tegna, mas o acordo foi encerrado após entraves regulatórios. Reuters+1
- A questão dos canais a cabo é central porque alguns cenários de venda podem separar TV tradicional de estúdio/streaming. Deadline+1
Links externos sugeridos (sem exagero, para credibilidade)
- Financial Times (reportagem original citada) Financial Times
- Reuters (repercussão e checagem de contexto) Reuters
- PBS NewsHour (contexto sobre lances e ativos) PBS
- Deadline (explicação do que fica fora do pacote) Deadline
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